3.2.12

Faço das tuas, as minhas, Caio.

Confesso que você estava em todos esses meus planos, mas eu sinto que as coisas vão escorrendo entre meus dedos, se derramando, não me pertencendo. Estou realmente cansado. Cansado e cansado de ser mar agitado, de ser tempestade…quero ser mar calmo. Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: Calma, eu estou com você e vou te proteger! Nós vamos ser fortes juntos, juntos, juntos…

+

Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou.

+

Fiquei. Você sabe que eu fiquei. E que ficaria até o fim, até o fundo. Que aceitei a queda, que aceitei a morte. Que nessa aceitação, caí. Que nessa queda, morri. Tenho me carregado tão perdido e pesado pelos dias afora. E ninguém vê que estou morto.

+

Preciso de um colo que ninguém dá. Mas tudo bem.

+

Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido.

+

Sabe de uma coisa? Eu desisto das pessoas.

(Deus, Caio...)

+

Decepções são apenas uma forma de Deus dizer: eu tenho algo melhor para você.

(que Deus te ouça)

7.12.11

em 7 mares, 1

Duma sonora reciprocidade o coração virou-se do avesso, remexeu-se fora de compasso, agitou-se e naufragou. Visitou outros mares. Encontrou-se. Não mais preso a um litoral de águas calmas, tornou-se o oceano. E, como oceano, viu-se sujeito a diversas profundidades: imprevisível! O desconhecido como imã. Descobriu-se em curvas; imprevisíveis. Mulheres!

E o litoral de águas calmas chorou lágrimas de sal. Dos 7 mares, não fora ele.

12.11.11

no no no no

ou 8 ou 80;

não me empolgo pela metade. não me frusto por metades.
não sei quase cair do precipício, não sei quase voar.
eu não entendo de quases.

não sei calcular riscos, não sei medir amores.
não sei me envolver ao meio; filmes, músicas, boys, girls.

sei esfriar, sei arder.
em plenitude.

(não sei,
não vou
medir intensidades)

29.4.11

Um terceiro numa brincadeira de dois

Nunca fui de deixar mal entendidos crescerem, mas dessa vez deixei, desde dezembro. Ela não sabe que a troca de olhares e as palavras em recíproco só tinham algo em mente: encontrar um terceiro, para uma brincadeira de dois. E os "olás sem vergonha" continuam, as provocações idem. Ela não sabe que em quatro paredes rimos dos olhos crescendo ao se mencionar em trabalhos e afazeres sociais numa roda de amigos, numa festa qualquer - os olhos dela cresceram, pensando em dinheiro, talvez em status, ou talvez tenha sido o ego nojento que possui que a cegou e não a fez enxergar a realidade da situação. Isso é o que ele acha dela. Isso é o que achamos dela. É engraçado o quanto esse mal entendido me incomodou em algum momento, queria que soubesse a verdade, mas as palavras "o importante é que a gente está bem e ela vai ficar para titia" e os abraços e todo o amor que eu sei que é meu e só meu me tiram dessa roda de aparências.

Sabe o que é ainda mais irônico? O uso da palavra respeito, da boca para a fora, em flertes com alguém comprometido. E eu - na verdade, nós - não te respeitamos e não queremos teu respeito, a gente só quer distância e dignidade, suas, é claro.

"Tirem essa mulher daqui."

(if dignity was money you could - MAYBE - buy a soda)

28.3.11

Vem, porra

Eu não quero mais essa dor, cara. Toma, leva daqui. Xô com essa insegurança que enfias no meu peito. Xô! Vai embora junto com essa agonia imensa que não nos deixa crescer. Tu não queres crescer. Fincastes teus pés nesse chão com medo de dar um passo e cair no buraco. Mas eu quero apostar tudo, porra! Eu tenho tudo a perder, eu tenho você para perder, mas prefiro arriscar do que ficar nadando em círculos nesse oceano cheio de tubarões.

Eu não quero mais essa dor! Tu fincastes nossos pés nesse chão de areia movediça e eu quero dar um passo à frente, foda-se o buraco que pode estar a nos esperar, vem comigo! Vem?

22.2.11

Contraditório dizer: o cansaço reforça o sentir.

18.2.11

As palavras entram sem pedir licença e eu sento - no meio de
uma cerveja, trepa, amor bruto - e as coloco para fora num desabafo para
Deussabequem. Ainda que eu tenho quem as leia escute receba, mesmo com a
provável indigestão. Penso sempre naqueles que as mantém recém nascidas, no
ventre, apodrecendo.
O mau cheiro sempre chega à superfície.

20.1.11

A minha espera por compaixão alheia vem de um simples cálculo matemático. Não posso deixar de acreditar que há um máximo x de dor, a cada momento, a se carregar na vida. E que se eu sofro y em algum questão, o mundo me olhará penalizado e me cobrará x-y. O fato é que a vida não é uma ciência exata, cara. As pessoas dos ônibus ruas cafés não enxergam a equação na sua testa. E se elas sabem pressentem teu enjoô tropeço poço elas fazem questão de te cuspir na cara. Por isso não reclama do que te colocam nas costas, haverá sempre aquele na espreita a cheirar o teu medo e a preparar as garras.
(o difícil é pensar 2x).

9.1.11

(infelizmente) necessário dizer: a janela eternamente aberta, Woody.
Amor, Cá.

7.1.11

fevereir'a


Encarei os fatos: carnavais à parte sou toda fevereiro. Toda a impulsividade de aquário somada a de ser mulher - e com todas as letras, m-u-l-h-e-r - se mostram em fatos e atos de uma meia biografia mal escrita. E me dou o luxo de todas as feminices e extravagâncias que ser fevereira me pré-conceitua, o desejo pelo corpo no corpo, os hormônios à flor da pele, as fragilidades e solidões e, mesmo assim, arranco uma força de nãoseideonde e me faço muralha. Mulher é desdobrável. Eu sou.

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