7.12.11

em 7 mares, 1

Duma sonora reciprocidade o coração virou-se do avesso, remexeu-se fora de compasso, agitou-se e naufragou. Visitou outros mares. Encontrou-se. Não mais preso a um litoral de águas calmas, tornou-se o oceano. E, como oceano, viu-se sujeito a diversas profundidades: imprevisível! O desconhecido como imã. Descobriu-se em curvas; imprevisíveis. Mulheres!

E o litoral de águas calmas chorou lágrimas de sal. Dos 7 mares, não fora ele.

12.11.11

no no no no

ou 8 ou 80;

não me empolgo pela metade. não me frusto por metades.
não sei quase cair do precipício, não sei quase voar.
eu não entendo de quases.

não sei calcular riscos, não sei medir amores.
não sei me envolver ao meio; filmes, músicas, boys, girls.

sei esfriar, sei arder.
em plenitude.

(não sei,
não vou
medir intensidades)

29.4.11

Um terceiro numa brincadeira de dois

Nunca fui de deixar mal entendidos crescerem, mas dessa vez deixei, desde dezembro. Ela não sabe que a troca de olhares e as palavras em recíproco só tinham algo em mente: encontrar um terceiro, para uma brincadeira de dois. E os "olás sem vergonha" continuam, as provocações idem. Ela não sabe que em quatro paredes rimos dos olhos crescendo ao se mencionar em trabalhos e afazeres sociais numa roda de amigos, numa festa qualquer - os olhos dela cresceram, pensando em dinheiro, talvez em status, ou talvez tenha sido o ego nojento que possui que a cegou e não a fez enxergar a realidade da situação. Isso é o que ele acha dela. Isso é o que achamos dela. É engraçado o quanto esse mal entendido me incomodou em algum momento, queria que soubesse a verdade, mas as palavras "o importante é que a gente está bem e ela vai ficar para titia" e os abraços e todo o amor que eu sei que é meu e só meu me tiram dessa roda de aparências.

Sabe o que é ainda mais irônico? O uso da palavra respeito, da boca para a fora, em flertes com alguém comprometido. E eu - na verdade, nós - não te respeitamos e não queremos teu respeito, a gente só quer distância e dignidade, suas, é claro.

"Tirem essa mulher daqui."

(if dignity was money you could - MAYBE - buy a soda)

28.3.11

Vem, porra

Eu não quero mais essa dor, cara. Toma, leva daqui. Xô com essa insegurança que enfias no meu peito. Xô! Vai embora junto com essa agonia imensa que não nos deixa crescer. Tu não queres crescer. Fincastes teus pés nesse chão com medo de dar um passo e cair no buraco. Mas eu quero apostar tudo, porra! Eu tenho tudo a perder, eu tenho você para perder, mas prefiro arriscar do que ficar nadando em círculos nesse oceano cheio de tubarões.

Eu não quero mais essa dor! Tu fincastes nossos pés nesse chão de areia movediça e eu quero dar um passo à frente, foda-se o buraco que pode estar a nos esperar, vem comigo! Vem?

22.2.11

Contraditório dizer: o cansaço reforça o sentir.

18.2.11

As palavras entram sem pedir licença e eu sento - no meio de
uma cerveja, trepa, amor bruto - e as coloco para fora num desabafo para
Deussabequem. Ainda que eu tenho quem as leia escute receba, mesmo com a
provável indigestão. Penso sempre naqueles que as mantém recém nascidas, no
ventre, apodrecendo.
O mau cheiro sempre chega à superfície.

20.1.11

A minha espera por compaixão alheia vem de um simples cálculo matemático. Não posso deixar de acreditar que há um máximo x de dor, a cada momento, a se carregar na vida. E que se eu sofro y em algum questão, o mundo me olhará penalizado e me cobrará x-y. O fato é que a vida não é uma ciência exata, cara. As pessoas dos ônibus ruas cafés não enxergam a equação na sua testa. E se elas sabem pressentem teu enjoô tropeço poço elas fazem questão de te cuspir na cara. Por isso não reclama do que te colocam nas costas, haverá sempre aquele na espreita a cheirar o teu medo e a preparar as garras.
(o difícil é pensar 2x).

9.1.11

(infelizmente) necessário dizer: a janela eternamente aberta, Woody.
Amor, Cá.

7.1.11

fevereir'a


Encarei os fatos: carnavais à parte sou toda fevereiro. Toda a impulsividade de aquário somada a de ser mulher - e com todas as letras, m-u-l-h-e-r - se mostram em fatos e atos de uma meia biografia mal escrita. E me dou o luxo de todas as feminices e extravagâncias que ser fevereira me pré-conceitua, o desejo pelo corpo no corpo, os hormônios à flor da pele, as fragilidades e solidões e, mesmo assim, arranco uma força de nãoseideonde e me faço muralha. Mulher é desdobrável. Eu sou.

5.1.11

voltei a escrever. escrevo sobre desespero.

Falei que não escrevia mais porque estava muito feliz para falar de desespero. Na manhã seguinte voltei a escrever.
Escrevi para ela. Escrevi para ele. Coloquei o dedo na ferida. Doeu chorei não passou. Escrevi para mim. Enfiei o dedo na ferida - chafurdei na lama - estilhacei ainda mais os pedaços que se quebraram(vam).

Ótimo.

Agora posso tentar um recomeço ao invés de estupidamente juntar os pedaços e organizá-los de uma forma torta.
Eu voltei a escrever. Escrevo sobre regenerar-se.

About